Às vezes, minha cabeça se enche de nada.
Os pensamentos saem à procura de um motivo, os desejos brincam de esconde-esconde, as vontades perdem o caminho de volta e o ânimo parece só querer descansar. A voz faz um culto ao silëncio. O olhar treina uma auto hipnose. O cérebro, envolto em nuvens, nega-se a raciocinar. Coração parece ouvir o toque de recolher, fecha suas portas, não deixa ninguém entrar.
Vozes ao longe, não sei de quem, não sei para quem, perguntam : “O que tens?”.. . Ignoro-as.
Passado some, futuro nem sei o que é. O presente fica tão longo e eu aqui dentro, só uma certeza tenho: ainda existo e sei quem sou. Mas, não sei como, não sei onde, não sei porquê.
Quando isso acontece, e somente quando isso acontece, experimento o raro sabor de como é não pensar em você.

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